sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Dias assim





Há dias em que não te percebo, em que parece que entre nós se sobrepõe uma distância esquiva onde temos de usar o "com licença" e o "por favor". E aí eu tento ler-te nas entrelinhas, descodificar esse teu jeito de ser, esse silêncio ou as palavras que empregas que nada me dizem. Faço um esforço de tal forma que chega a apetecer bater-te e dizer-te "sou eu, sou eu que estou aqui". Mas nesses teus dias, vestes a tua melhor capa e encarnas um estranho, como aqueles que me intersectam no meio da rua a pedir um cigarro ou indicações. Parece que te esqueces que me prometeste que hoje íamos passear, ou que me levarias aquela loja de que tanto temos falado, ou que me ajudarias a escolher o meu perfume novo porque aquele antigo que tu tanto gostavas acabou. Há dias em que te tornas indecifrável, em que eu não te consigo ler nem sequer adivinhar.

Sabes-me a pouco nesses dias e eu chego quase a partir sem ti, a não contar contigo para todos os nossos planos. Eu não gosto de estranhos, sabes? Para mim é tudo muito claro, eu conheço toda a gente, eu leio toda a gente, para mim sempre foi fácil.
Porque é que tens de ser tão indecifrável? Não gosto da sombra que trazes nos olhos, dos segredos que calas dentro do peito. Quero sabe-los, quero descobri-los, nem que isso por momentos nos roube o encanto. Eu quero-te em carne viva.

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