sábado, 28 de novembro de 2009

"Acredito que o futuro nunca está escrito. Acredito que o que é verdade hoje pode ser mentira amanhã. Acredito que quando iniciamos uma viagem nunca sabemos onde chegaremos nem como vai acabar. Que o que vivemos hoje, aqui e agora, é que conta, e que o que recusamos viver em nome de um futuro incerto que desconhecemos nos vai trazer mais arrependimento do que se o vivermos. Não acredito em promessas para a vida, em relações perfeitas, no mito dos contos de fadas que apregoa a máxima ‘felizes para sempre’. Prefiro pensar que serei feliz enquanto conseguir amar incondicionalmente, enquanto os abraços dos que amo nunca terminarem.

Tocar a eternidade é tocar os momentos perfeitos que vivemos, agarrá-los com ganas e vivê-los sem medo e com liberdade, sem pensar no depois, sem equacionar se estamos certos ou errados, se o que sentimos é verdade ou mentira.

Verdade é o que se sente e o resto não passa de um conjunto de cogitações cartesianas inventadas para nos complicar a existência. Um amor pleno está acima de qualquer cogitação, está acima de nós e é por isso mesmo que vale e pena vivê-lo."

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Dias assim





Há dias em que não te percebo, em que parece que entre nós se sobrepõe uma distância esquiva onde temos de usar o "com licença" e o "por favor". E aí eu tento ler-te nas entrelinhas, descodificar esse teu jeito de ser, esse silêncio ou as palavras que empregas que nada me dizem. Faço um esforço de tal forma que chega a apetecer bater-te e dizer-te "sou eu, sou eu que estou aqui". Mas nesses teus dias, vestes a tua melhor capa e encarnas um estranho, como aqueles que me intersectam no meio da rua a pedir um cigarro ou indicações. Parece que te esqueces que me prometeste que hoje íamos passear, ou que me levarias aquela loja de que tanto temos falado, ou que me ajudarias a escolher o meu perfume novo porque aquele antigo que tu tanto gostavas acabou. Há dias em que te tornas indecifrável, em que eu não te consigo ler nem sequer adivinhar.

Sabes-me a pouco nesses dias e eu chego quase a partir sem ti, a não contar contigo para todos os nossos planos. Eu não gosto de estranhos, sabes? Para mim é tudo muito claro, eu conheço toda a gente, eu leio toda a gente, para mim sempre foi fácil.
Porque é que tens de ser tão indecifrável? Não gosto da sombra que trazes nos olhos, dos segredos que calas dentro do peito. Quero sabe-los, quero descobri-los, nem que isso por momentos nos roube o encanto. Eu quero-te em carne viva.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

O que queres ser quando fores grande?




Eu sempre soube secretamente o que queria ser. Para mim a resposta sempre foi fácil e espontânea. Na altura eu não sabia bem porquê, talvez soubesse mas não o sabia exprimir muito menos justificar a minha escolha.
Hoje dou por mim, cada vez com mais certezas. Dou por mim com cada vez mais vontade, mais certeza de que quero ser médica e mal vejo o dia em que isso se torne realidade e que eu chegue ao fim dos meus estudos e me sinta realizada profissionalmente. No entanto, sei que não vai nem está a ser um caminho fácil de percorrer. É, indubitavelmente, um enorme desafio, não só pela dificuldade e o espírito de sacrifício que o curso médico exige mas também por todos os factores envolvidos que acarreta. É preciso querer mais, é preciso ver além e é também nisso que todos os dias trabalho. Sei, igualmente, que é preciso amar, é preciso vontade e assumir a responsabilidade de agarrar não só a minha vida mas, ainda mais importante, a vida de outros com as minhas próprias mãos.
E eu quero fazer isto, com todo o meu amor e dedicação.
É isto que eu quero fazer, não tenho a mais pequena dúvida. É por isto que eu luto, pelo meu sonho, porque eu sei que assim eu vou ser feliz.




E tu?

terça-feira, 24 de novembro de 2009



Eu tenho sempre alguma coisa para dizer, consigo quase sempre articular qualquer frase, construir um discurso ou um comentário sobre determinado acontecimento mas não desta vez.
Se eu quisesse descrever estes dias com a minha mãe, se eu sequer tentasse, não conseguia mesmo!

Mãe, obrigada. Obrigada pelos conselhos, pelo carinho. Obrigada pelas palavras que me acalmam e aquecem o peito, pelas conversas antes de adormecermos abraçadas. Obrigada pelos miminhos, pela companhia e os passeios.

E mal partiste, o meu coração encolheu e ficou cheio de saudades tuas. Mas vá, é só um até já, não é?








segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Dóis-me de saudade, já.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009





Estou cansada. Hoje corri para apanhar o tram mil vezes, esqueci-me de livros noutros departamentos, andei à procura de trocos por todos os bolsos e bolsinhos da minha minha mala, cheguei atrasada à paragem outra vez, comi um croissant numa padaria numa esquina qualquer, voltei a correr. Vesti batas, cover shoes, fumei cigarros, bebi um sumo, tudo a correr. Saí da aula, mais uma vez a correr.
Cheguei a casa. Estou cansada.


Mas finalmente, amanha a mãe chega :)

terça-feira, 17 de novembro de 2009




A minha mãe vem cá e eu ando a contar os minutos para a voltar a abraçar !
Vem depressa, por favor, Mamã.




Tenho saudades da minha casa, da minha cidade, dos sítios do costume. Tenho saudades de andar de metro, do Gato Verde, das saídas à noite sem destino ou as boleias para casa. Tenho saudades da comida da mamã, dos miminhos dela, dos beijos do papá. Tenho saudades do olhar meigo da minha irmã, da compreensão dela e do seu coração do tamanho do mundo. Tenho saudades do cheiro da minha casa, do toque da minha avó, do cheiro a flores e a doces que traz nas mãos. Tenho saudades dos jantares sem um único momento de silêncio, de chegar a casa e dar um beijo à minha mãe.
Tenho saudades de as ir buscar a casa, de abrirmos o tejadilho do carro, rádio nas alturas, faça chuva ou faça sol. Tenho saudades das nossas aventuras, das piadas que só nós percebemos. Tenho saudades de fumar cigarros com a J. sentadas num chão qualquer, de dar as mãos à C. e voltar tudo a fazer sentido.



Hoje dava tudo para adormecer em minha casa.











Quem me leva os meus fantasmas?

domingo, 15 de novembro de 2009



Este fim-de-semana a M. e o R. deram um saltinho a Viena.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Odeio





discutir, gritar contigo, odeio quando nem sequer me deixas que te toque e ficamos na nossa cama de pernas à chinês por tempo indefinido. Odeio quando tens ciúmes, quando questionas o que me vai na alma e dizes que não me consegues fazer feliz. Odeio quando me viras a cara e encolhes os ombros e dizes que já não te importas. E isso eu não consigo ouvir, não consigo ouvir-te dizer que tanto te faz, que não queres saber, que não me queres ouvir, que o meu poder de argumentação é zero e que nada vai mudar. Odeio quando quero falar contigo mas a minha voz afoga-se e reflecte-se em lágrimas pesadas que descem lentamente até ao meu pescoço.



E depois, o que eu gosto mesmo é de fazer as pazes e adormecer no teu colo.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Eu e o S.




Eu e o S. estamos sempre juntos. Eu conheço-o muito bem e por incrível que pareça ele é das únicas pessoas que me diz que sou transparente como a água, talvez por me conhecer tão bem. Eu sei que se durante o dia explodir de alegria lhe telefono e se me apetecer espernear ele vem a correr.
Ele gosta dos meus abraços, eu gosto das gargalhadas dele, ele gosta do meu "cabelo de princesa" e eu gosto quando vamos pela rua de mãos dadas. Com ele tenho as mais longas conversas que já alguma vez tive, desde os problemas sócio-económicos que assolam o mundo, à vizinha que eu tenho que se prostitui por becos perdidos. Com ele eu choro, eu rio, eu grito e sinto o meu coração perto da boca. Com ele eu sinto-me segura.

E como um dia prometemos um ao outro : "Não vamos deixar o samba morrer"

terça-feira, 10 de novembro de 2009





Há uns dias encontrei uma amiga minha a chorar e mais uma vez citei a minha mae. Dou por muitas vezes a pensar nisto e a frase que ela um dia me disse ecoa regularmente dentro de mim :








"Ninguém morre de amor, Mariana"











quarta-feira, 4 de novembro de 2009

let it snow




Aqui já neva, já todo o mundo usa botas, gorros, luvas e o meu cabelo já fica todo branco quando vou pela rua. De vez em quando surge uma bola de neve pelos ares e o meu corpo congela e sabe bem.





Vou-me equipar- cachecol, botas, luvas - e vou para as aulas.
Bah, odeio quarta-feira.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

longe

Hoje eu fugia, assim mesmo. Sem mapas, bússola, pistas ou indicações.
A mim basta-me o mundo, nada menos. Contradigo-me? Talvez mas para mim faz sentido.
Hoje eu fugia, assim mesmo.



Quero sorver o mundo, cada canto, cada esquina. Quero conhecer cada fraqueza, por mais que me arda o peito e quero chorar de emoção por cada vislumbre perfeito que me assombre
a alma. Quero parar em cada trilho, sentar-me onde quer que seja, acender um cigarro e "morrer" ali.

Vamos?





Hoje caí e esmurrei os joelhos. E soube mesmo mesmo bem!