quinta-feira, 29 de outubro de 2009

as cartas que te escrevo





Na manhã em que não acordei ao teu lado o meu coração tremeu. Há muito tempo que não me sentia desamparada, não assim daquela maneira, perdida.

Lembro-me de virar o meu corpo para o teu lado, estender o braço e não te sentir a pele. Lembro-me de abrir os olhos a custo e não ver esse teu corpo, de me aproximar e não sentir o teu cheiro, aquele cheiro.

Quis pegar num cigarro e acendê-lo mesmo ali, na nossa cama, para assim poder reflectir não me precipitar mas (merda) não consegui. Tive que pegar no telefone e ligar-te e desesperar para que atendesses para que eu pudesse saber que nada fora um sonho e que tu eras de carne e osso e tens uma voz, o que fosse.

Peguei na carta que nunca te entreguei e corri para ti, apertei-a com os dedos como se tivesse medo, medo de mim mais precisamente. Não corri mas era o que eu queria ter feito, não chorei até chegar a ti mas era o que queria ter feito.

Vi-te e tive a certeza de que existias, o nó na garganta dissolveu-se e lentamente fez com que o meu coração escorregasse pelas paredes do meu corpo e eu entreguei-me a ti.

Não te entreguei a carta, meu amor, não. Não vai ser desta vez que soltarei amarras e que te direi o que realmente vai cá dentro.

Sou tão tonta,sou tão feita de coração. (Merda)

Sem comentários:

Enviar um comentário